Durante muito tempo, eu tentei compreender a vida através das palavras.

Eu queria encontrar o nome certo para cada coisa. Queria explicar aquilo que acontecia dentro de mim. Queria organizar minhas experiências em pensamentos que fizessem sentido. Eu imaginava que, se conseguisse encontrar uma explicação suficientemente boa, finalmente chegaria àquilo que estava procurando.

Foi somente depois de muito tempo que comecei a notar uma diferença que mudou minha maneira de olhar para tudo.

Existe um grande diferença entre a coisa que representa, da coisa que foi representada.

Um emoji nunca será uma emoção.

Uma coisa é a representação de algo.

Outra coisa é aquilo que está sendo representado.

Quando eu falo ou escrevo uma palavra, a palavra não é aquilo que ela representa.

Quando eu crio uma imagem na minha mente, a imagem não é aquilo que ela representa.

Quando eu construo uma explicação, a explicação não é a realidade sobre a qual estou falando.

Mas muitas vezes eu confundia a representação com a coisa representada. Esse engano era algo como acreditar que o emoji era de fato a emoção. Mas o emoji jamais poderá ser a emoção. Mas mesmo assim eu me confundia.

Eu comecei a perceber que fazia isso o tempo inteiro.

Eu dizia “amor”, mas a palavra “amor” não era o próprio amor.

Eu falava sobre Deus, mas as palavras que eu usava para falar sobre Deus não eram o próprio Deus.

Eu pensava sobre a verdade, mas o pensamento que eu tinha sobre a verdade não era a própria verdade.

Isso não significa que as palavras não tenham valor.

As palavras têm um valor enorme.

Por meio das palavras, eu consigo contar o que vivi. Eu consigo compartilhar aquilo que aprendi. Eu consigo ensinar alguma coisa a outra pessoa. Eu consigo explicar uma experiência que talvez ajude alguém.

Mas uma palavra continua sendo uma palavra.

A palavra pode indicar.

A palavra pode explicar.

A palavra pode orientar.

A palavra pode ajudar outra pessoa a compreender alguma coisa.

Mas a palavra não deve ser confundida com aquilo que ela procura indicar.

Foi justamente aí que comecei a perceber um erro que eu cometia com frequência.

Eu criava uma ideia dentro da minha própria mente e depois começava a procurar essa ideia na realidade.

Eu criava uma explicação e depois tentava fazer tudo se encaixar dentro daquela explicação.

Eu imaginava como Deus deveria ser e depois procurava Deus de acordo com a imagem que eu mesmo havia criado.

Eu construía uma ideia sobre a verdade e depois julgava aquilo que acontecia de acordo com a minha ideia sobre a verdade.

Sem perceber, eu havia trocado a realidade pelas minhas próprias representações.

Eu achava que estava olhando para a realidade, mas muitas vezes estava olhando para aquilo que eu havia colocado dentro da minha própria mente.

Foi uma descoberta simples, mas essa descoberta mudou completamente a minha maneira de entender a vida.

Eu comecei a entender que conhecer uma representação não significa necessariamente conhecer aquilo que está sendo representado.

Eu posso conhecer uma palavra sem conhecer profundamente aquilo que a palavra indica.

Eu posso conhecer uma explicação sem conhecer profundamente a realidade sobre a qual a explicação fala.

Eu posso conhecer muitos ensinamentos sobre Deus sem realmente entender o que o ensinamento está apontando.

Eu posso conhecer muitas explicações sobre um trajeto sem realmente percorrer esse caminho.

Foi então que comecei a observar minha própria maneira de viver.

Antes, eu sentia necessidade de explicar rapidamente tudo aquilo que acontecia.

Quando alguma coisa acontecia, eu queria saber imediatamente o que aquilo significava.

Quando alguém fazia alguma coisa, eu queria descobrir imediatamente por que aquela pessoa havia feito aquilo.

Quando eu passava por uma experiência diferente, eu queria encontrar uma explicação para aquela experiência.

Mas comecei a fazer algo diferente.

Eu comecei a permanecer diante do que estava acontecendo antes de decidir o que aquilo significava.

Eu comecei a ouvir antes de concluir.

Eu comecei a observar antes de interpretar.

Eu comecei a receber uma situação antes de transformá-la em uma explicação dentro da minha própria mente.

Isso foi importante porque comecei a perceber que, muitas vezes, eu não estava reagindo apenas ao que estava acontecendo.

Eu estava reagindo também à representação que eu havia criado sobre aquilo que estava acontecendo.

Isso acontecia principalmente nas relações com outras pessoas.

Alguém dizia alguma coisa e eu imediatamente criava uma ideia sobre a intenção daquela pessoa.

Alguém fazia alguma coisa e eu imediatamente criava uma explicação para aquela atitude.

Depois, eu reagia à minha própria explicação.

Eu já não estava respondendo somente à pessoa que estava diante de mim.

Eu estava respondendo também à imagem que eu havia criado daquela pessoa dentro da minha mente.

Quando comecei a notar isso, passei a dar mais espaço para aquilo que realmente estava acontecendo.

Eu comecei a ouvir uma pessoa antes de decidir quem aquela pessoa era.

Eu comecei a observar uma atitude antes de decidir o que aquela atitude significava.

Eu comecei a aceitar que minha primeira explicação poderia não ser aquilo que estava realmente acontecendo.

Isso não significava abandonar o pensamento.

Também não significava abandonar as palavras.

Significava apenas não colocar minha própria representação no lugar da realidade.

Foi nesse processo que comecei a compreender melhor a diferença entre uma representação e aquilo que é representado.

Uma fotografia mostra uma pessoa, mas a fotografia não é a pessoa.

Uma descrição fala sobre uma experiência, mas a descrição não é a experiência.

Uma palavra fala sobre alguma coisa, mas a palavra não é aquilo sobre o que ela fala.

Da mesma maneira, minha palavra sobre Deus não é Deus.

Minha explicação sobre Deus não é Deus.

Minha imagem de Deus não é Deus.

Minha ideia sobre Deus não é Deus.

Essas coisas podem me ajudar a falar sobre Deus.

Essas coisas podem me ajudar a aprender.

Essas coisas podem me ajudar a ensinar.

Mas continuam sendo representações.

E eu comecei a perceber que isso também se aplicava à maneira como eu enxergava a criação.

Eu olhava para uma árvore e via uma árvore.

Eu olhava para o céu e via o céu.

Eu olhava para uma pessoa e via uma pessoa.

Eu olhava para minha própria existência e via minha própria existência.

Mas comecei a perceber que eu também poderia entender aquilo que estava diante de mim como algo que apontava para Deus. Todo o universo poderia também ser uma representação.

A árvore continuava sendo uma árvore.

A árvore não era Deus.

O céu continuava sendo o céu.

O céu não era Deus.

Minha existência continuava sendo minha existência.

Minha existência não era Deus.

Mas a árvore podia me fazer lembrar de Deus.

O céu podia me fazer lembrar de Deus.

Minha própria existência podia me fazer lembrar de Deus.

Isso me ensinou a não confundir aquilo que existe com aquilo que aquilo representa para mim.

A criação não é Deus.

Mas a criação pode apontar para Deus.

Uma coisa pode permanecer sendo aquilo que ela é e, ao mesmo tempo, me conduzir a pensar em Deus.

Essa diferença começou a mudar também minha relação com as formas da vida.

Eu comecei a perceber que tudo aquilo que aparece diante de mim muda.

Uma árvore cresce.

Uma pessoa envelhece.

Uma casa é construída e, algum dia, deixa de existir.

O corpo muda.

As relações mudam.

As circunstâncias mudam.

Aquilo que parece permanente em um momento pode estar completamente diferente algum tempo depois.

Eu comecei a olhar para essas coisas sem pensar que aquilo que aparece diante de mim precisava representar tudo o que existe.

As formas eram reais enquanto formas.

Uma árvore era realmente uma árvore.

Uma pessoa era realmente uma pessoa.

Uma casa era realmente uma casa.

Mas eu comecei a aceitar que aquilo que eu conseguia ver não precisava ser tudo aquilo que existia.

Isso também me ajudou a perceber por que eu tinha tanta dificuldade em permanecer diante de certas experiências.

Eu queria transformar tudo em pensamento.

Eu queria transformar tudo em palavra.

Eu queria transformar tudo em explicação.

Quando eu não entendia alguma coisa, eu procurava uma explicação.

Quando eu não conseguia controlar alguma coisa, eu procurava uma explicação.

Quando alguma experiência era profunda demais para mim, eu tentava colocar aquela experiência em palavras.

Com o tempo, percebi que muitas vezes eu falava porque não sabia permanecer diante daquilo que ainda não compreendia.

Eu explicava porque queria controlar através da explicação aquilo que não estava sob meu controle.

Eu criava pensamentos porque queria tornar previsível aquilo que não era previsível.

Eu procurava respostas porque tinha dificuldade de permanecer diante de uma pergunta.

Foi nesse momento que comecei a compreender o que significa, para mim, viver sem representação.

Viver sem representação não significa viver sem palavras.

Viver sem representação não significa abandonar o pensamento.

Viver sem representação não significa rejeitar aquilo que aprendi.

Viver sem representação significa não colocar uma imagem criada por mim entre mim e aquilo que está diante de mim.

Significa reconhecer que minha ideia sobre alguma coisa não é necessariamente aquilo.

Significa reconhecer que minha explicação sobre alguma coisa não é necessariamente aquilo.

Significa reconhecer que minha imagem sobre alguma coisa não é necessariamente aquilo.

Significa reconhecer que minha palavra sobre alguma coisa não é necessariamente aquilo.

Essa compreensão começou a mudar minha maneira de viver.

Eu comecei a aceitar que uma experiência poderia acontecer antes de eu decidir o que ela significava.

Eu comecei a aceitar que uma pessoa poderia estar diante de mim antes de eu decidir quem aquela pessoa era.

Eu comecei a aceitar que uma situação poderia existir antes de eu decidir como deveria ser interpretada.

Eu comecei a perceber que eu não precisava transformar imediatamente aquilo que acontecia em uma conclusão sobre a minha própria vida.

Isso trouxe uma mudança muito grande.

Eu descobri que não precisava transformar toda experiência em uma conclusão.

Eu não precisava transformar toda descoberta em uma explicação.

Eu não precisava transformar toda experiência profunda em uma frase perfeita.

Eu ainda podia falar.

Eu ainda podia estudar.

Eu ainda podia escrever.

Eu ainda podia ensinar.

Eu ainda podia compartilhar aquilo que havia aprendido.

Mas comecei a compreender que minhas palavras deveriam continuar sendo palavras.

Minhas palavras poderiam indicar a realidade.

Minhas palavras poderiam falar sobre a realidade.

Minhas palavras poderiam ajudar outra pessoa a olhar para a realidade.

Mas minhas palavras não deveriam tomar o lugar da realidade.

Isso mudou principalmente minha relação com Deus.

Eu podia estudar ensinamentos sobre Deus.

Eu podia ouvir pessoas falando sobre Deus.

Eu podia pensar sobre Deus.

Eu podia escrever sobre Deus.

Tudo isso poderia ter valor.

Mas nenhuma dessas coisas deveria ser confundida com o próprio Deus.

Minha representação de Deus não é Deus.

Minha explicação sobre Deus não é Deus.

Minha imagem de Deus não é Deus.

Minha palavra sobre Deus não é Deus.

Minha ideia sobre Deus não é Deus.

Todas essas coisas podem falar sobre Deus.

Todas essas coisas podem apontar para Deus.

Todas essas coisas podem me ajudar a buscar Deus.

Mas nenhuma dessas coisas deve ocupar o lugar de Deus.

Foi então que comecei a perceber que até mesmo aquilo que deveria me ajudar poderia se tornar uma barreira quando eu confundisse a representação com aquilo que ela representa.

Eu poderia passar tanto tempo pensando sobre Deus que deixaria de estar vivendo a vida que ela me deu.

Eu poderia passar tanto tempo estudando sobre a verdade que deixaria de olhar para aquilo que estava diante de mim.

Eu poderia passar tanto tempo tentando explicar uma experiência que deixaria de viver a própria experiência.

Essa descoberta me fez mudar a maneira como eu usava as palavras.

Eu não abandonei as palavras.

Eu apenas comecei a colocá-las no lugar delas.

Quando uma palavra ajudava, eu usava a palavra.

Quando uma explicação ajudava, eu usava a explicação.

Quando um ensinamento ajudava, eu recebia o ensinamento.

Mas eu procurava não transformar a palavra na própria realidade.

Eu procurava não transformar a explicação na própria realidade.

Eu procurava não transformar o ensinamento na própria realidade.

Eu comecei a compreender que algumas coisas precisam primeiro ser vividas.

Algumas coisas precisam primeiro ser recebidas.

Algumas coisas precisam primeiro ser observadas.

Algumas coisas precisam primeiro ser experimentadas.

Só depois eu poderia encontrar palavras para falar sobre elas.

Foi assim que comecei a aprender a permanecer diante das coisas sem precisar imediatamente transformá-las em uma explicação.

Eu podia olhar sem criar imediatamente uma ideia sobre aquilo que estava olhando.

Eu podia ouvir sem preparar imediatamente uma resposta.

Eu podia receber sem tentar imediatamente controlar.

Eu podia viver sem transformar imediatamente cada experiência em uma história sobre mim mesmo.

E isso me fez perceber uma coisa que antes eu não conseguia perceber.

Eu queria explicar o amor enquanto ainda estava aprendendo a amar.

Eu queria explicar Deus enquanto ainda estava aprendendo a reconhecer Deus.

Eu queria explicar a verdade enquanto ainda estava aprendendo a abandonar as imagens que eu mesmo havia criado sobre a verdade.

Eu queria explicar a vida enquanto ainda estava aprendendo a receber a vida.

Então comecei a fazer as coisas em outra ordem.

Primeiro eu precisava viver.

Depois eu poderia falar.

Primeiro eu precisava entender.

Depois eu poderia interpretar.

Primeiro eu precisava receber.

Depois eu poderia compartilhar.

Primeiro eu precisava experimentar.

Depois eu poderia explicar.

Essa mudança não diminuiu o valor das palavras.

Pelo contrário.

As palavras começaram a ter um lugar mais verdadeiro na minha vida porque eu parei de exigir que as palavras fossem aquilo que elas não poderiam ser.

Uma palavra poderia falar sobre Deus sem ser Deus.

Uma palavra poderia falar sobre a verdade sem ser a verdade.

Uma palavra poderia falar sobre uma experiência sem ser a experiência.

Uma palavra poderia falar sobre a vida sem ser a vida.

Eu comecei a perceber que o valor da palavra não está em substituir aquilo que ela representa.

O valor da palavra está também em conseguir apontar para aquilo que ela representa sem tomar o lugar daquilo que ela representa.

Hoje eu ainda falo.

Eu ainda estudo.

Eu ainda escrevo.

Eu ainda tento compreender.

Mas eu faço tudo isso de uma maneira diferente.

Quando falo sobre Deus, eu me lembro de que Deus é maior do que minhas palavras.

Quando falo sobre a verdade, eu me lembro de que minha explicação sobre a verdade continua sendo uma representação daquilo que estou tentando compreender.

Quando falo sobre uma experiência profunda, eu me lembro de que a descrição da experiência não é a própria experiência.

Quando penso sobre a vida, eu me lembro de que meu pensamento sobre a vida não é a própria vida.

Essa compreensão também mudou minha maneira de lidar com aquilo que eu não compreendo.

Eu não sinto mais a mesma necessidade de encontrar imediatamente uma resposta para tudo.

Eu não preciso definir imediatamente toda experiência.

Eu não preciso transformar imediatamente toda pergunta em uma conclusão.

Eu não preciso construir imediatamente uma representação para aquilo que ainda estou aprendendo a receber.

Isso não significa que eu tenha deixado de buscar crescimento espiritual.

Eu continuo buscando.

Mas agora eu entendo que buscar não significa apenas acumular mais palavras, mais explicações e mais pensamentos.

Buscar também significa aprender a diferenciar.

Buscar também significa aprender a separar uma coisa da outra.

Buscar também significa aprender a entender profundamente.

Buscar também significa aprender a permanecer diante daquilo que existe sem exigir que aquilo seja imediatamente igual à representação que criei sobre aquilo.

Foi assim que comecei a compreender o significado de viver sem representação.

Viver sem representação não é viver sem pensamento.

Viver sem representação não é viver sem linguagem.

Viver sem representação não é viver sem conhecimento.

Viver sem representação é não confundir aquilo que penso com aquilo que existe.

Viver sem representação é não confundir aquilo que imagino com aquilo que está diante de mim.

Viver sem representação é não confundir a palavra com a realidade.

Viver sem representação é não confundir a imagem com aquilo que a imagem representa.

Viver sem representação é não confundir a explicação com aquilo que a explicação procura explicar.

Viver sem representação é permitir que aquilo que existe seja maior do que aquilo que eu penso sobre aquilo que existe.

Hoje, quando percebo que estou tentando obrigar uma experiência a caber dentro de uma explicação que criei, eu paro.

Quando percebo que estou reagindo à imagem que criei de uma pessoa em vez de prestar atenção à pessoa que está diante de mim, eu paro.

Quando percebo que estou tentando transformar Deus em uma imagem que minha mente consegue controlar, eu paro.

Eu me lembro da diferença.

A representação não é aquilo que é representado.

A palavra não é aquilo que a palavra representa.

A imagem não é aquilo que a imagem representa.

A explicação não é aquilo que a explicação procura explicar.

E, quando eu me lembro disso, eu não preciso destruir as palavras.

Eu não preciso rejeitar os pensamentos.

Eu não preciso abandonar aquilo que aprendi.

Eu apenas deixo cada coisa ocupar o seu lugar.

Eu posso usar uma palavra sem transformar a palavra na realidade.

Eu posso usar uma explicação sem transformar a explicação na realidade.

Eu posso receber um ensinamento sem transformar o ensinamento naquilo que ele procura ensinar.

Eu posso falar sobre Deus sem acreditar que minha fala contém Deus.

Eu posso falar sobre a verdade sem acreditar que minha explicação contém toda a verdade.

Eu posso falar sobre a vida sem acreditar que minha ideia sobre a vida contém a própria vida.

Foi assim que encontrei um tipo diferente de repouso.

Eu não encontrei esse repouso porque finalmente construí uma explicação capaz de explicar tudo.

Eu encontrei esse repouso quando percebi que eu não precisava colocar tudo dentro de uma explicação.

Eu não precisava fazer a realidade caber dentro daquilo que eu conseguia pensar.

Eu não precisava fazer Deus caber dentro daquilo que eu conseguia dizer.

Eu não precisava fazer a verdade caber dentro daquilo que eu conseguia compreender.

Eu não precisava fazer a vida caber dentro daquilo que eu conseguia explicar.

Eu podia falar.

Eu podia ouvir.

Eu podia entender.

Eu podia ensinar.

Eu podia continuar aprendendo.

E eu podia permitir que aquilo que existe permanecesse maior do que a representação que eu faço daquilo que existe.

Hoje, quando uso palavras, eu tento me lembrar para que as palavras servem.

As palavras podem apontar.

As palavras podem ensinar.

As palavras podem orientar.

As palavras podem ajudar.

Mas as palavras não precisam substituir aquilo que elas representam.

E quando eu percebo que nenhuma palavra é necessária naquele momento, eu também posso não criar outra palavra.

Eu posso simplesmente permanecer diante daquilo que está acontecendo.

Sem criar imediatamente outra imagem.

Sem criar imediatamente outra explicação.

Sem tentar obrigar a realidade a ser igual àquilo que imaginei.

Foi assim que comecei a compreender que talvez eu tenha passado muito tempo procurando a realidade dentro das representações que eu mesmo havia construído.

Eu procurava uma imagem perfeita.

Eu procurava uma explicação definitiva.

Eu procurava uma definição que pudesse encerrar todas as perguntas.

Mas comecei a entender que uma representação perfeita continuaria sendo uma representação.

Aquilo que existe não depende da minha capacidade de representar aquilo que existe.

Deus não depende da minha capacidade de explicar Deus.

A verdade não depende da minha capacidade de colocar a verdade em palavras.

A vida não depende da minha capacidade de compreender a vida.

E talvez essa tenha sido uma das mudanças mais importantes que aconteceram comigo.

Eu parei de exigir que minha representação fosse a própria realidade.

Eu continuei usando palavras, mas não confundi mais as palavras com aquilo que elas representam.

Eu continuei pensando, mas não confundi mais meus pensamentos com aquilo que existe.

Eu continuei buscando, mas comecei a entender que buscar também significa aprender a olhar para aquilo que está diante de mim sem colocar imediatamente uma criação da minha própria mente no lugar daquilo que está diante de mim.

Foi nesse ponto que compreendi algo que eu demoraria muito tempo para entender.

Eu não precisava encontrar uma representação capaz de conter tudo.

Eu precisava aprender a reconhecer quando uma representação era apenas uma representação.

Eu precisava aprender a deixar a palavra ser palavra.

Eu precisava aprender a deixar a imagem ser imagem.

Eu precisava aprender a deixar a explicação ser explicação.

Eu precisava aprender a deixar aquilo que é representado continuar sendo maior do que a representação que faço daquilo que é representado.

E, quando comecei a fazer isso, alguma coisa mudou dentro de mim.

Eu já não precisava transformar tudo em pensamento para sentir que estava compreendendo.

Eu já não precisava transformar tudo em palavra para sentir que estava seguro.

Eu já não precisava transformar tudo em explicação para sentir que tinha controle.

Eu podia simplesmente estar diante daquilo que existia.

Eu podia olhar para a vida.

Eu podia receber a vida.

Eu podia ouvir a vida.

Eu podia continuar aprendendo com a vida.

E, principalmente, eu podia permitir que Deus permanecesse sendo Deus, sem tentar reduzir Deus à representação que eu havia criado sobre Deus.

Foi assim que comecei a entender o que significa viver sem representação.

Não significa não pensar.

Não significa não falar.

Não significa não estudar.

Não significa não buscar.

Significa apenas não confundir aquilo que eu criei dentro de mim com aquilo que existe fora daquilo que eu criei dentro de mim.

Significa não confundir minha palavra com aquilo que minha palavra representa.

Significa não confundir minha imagem com aquilo que minha imagem representa.

Significa não confundir minha explicação com aquilo que minha explicação procura explicar.

Significa deixar a realidade continuar sendo maior do que aquilo que consigo dizer sobre a realidade.

E foi justamente quando parei de querer entender a realidade através de representações que eu pude finalmente enxergar a realidade e encontrar a paz absoluta de Deus.

💡 Continue sua reflexão:

Este ensinamento pode ser visto por diferentes ângulos. O vídeo recomendado apresenta uma visão complementar que vale a pena conhecer. Leia este ensinamento primeiro e, em seguida, assista ao vídeo recomendado. Assim, você poderá aprofundar a reflexão com uma perspectiva complementar sobre o mesmo tema.

🎵 Continue sua reflexão:

Este ensinamento também pode ser vivido através da música. A canção abaixo transforma a ideia apresentada neste texto em uma experiência para ouvir, refletir e guardar no coração. Depois de compreender o ensinamento, permita-se ouvir a música com calma e perceber como ela apresenta o mesmo princípio de uma maneira diferente.

🔍 Assuntos abordados neste artigo:

  • Representação e realidade: Compreenda a diferença entre representação, realidade, imagem mental e interpretação para reduzir confusões que aumentam o sofrimento.
  • Pensamentos e explicações: Aprenda a não confundir pensamentos, palavras, explicações e verdade, permitindo uma relação mais tranquila com aquilo que acontece.
  • Presença e experiência: Descubra como viver sem representação, observar antes de interpretar e permanecer diante das experiências sem precisar encontrar respostas imediatas.
  • Espiritualidade e paz: Reflita sobre Deus, verdade, vida e paz interior, reconhecendo que nenhuma palavra ou imagem pode ocupar o lugar da realidade.